quinta-feira, 8 de novembro de 2007

DIA BRANCO (Geraldo Azevedo/RenatoRocha )

Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
E a chuva
Se a chuva cair
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Esse tanto
Esse tonto
Esse tão grande amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Pro que der e vier comigo

domingo, 4 de novembro de 2007

Caiu o verbo
Arranhou o queixo
O dedo na boca para dormir
Um choramingo
E o lençol manchado de mercúrio cromo.

Cor de sangue
Foi só drama

Pela manhã percebeu-se adjetivo
Saiu voando pela janela
Passou por mim,
Sorriu,
Sorri.

Fitou minha asa arranhada
e meus joelhos marcados
Enamorou-se
Pousou aqui.

Se entregou
por amor
ao meu papel.

(04/2003)
A ressaca moral é crônica.
Desfia-se e se entrelaça a outras ressacas já esquecidas.
E o tecido que se desfia – antes tão surrado e esgarçado – é orgânico.
Que dentro em pouco se mostrará cheio de cheiros – de cabelo queimado e urina passada nos muros que construímos – e que já não pulsa – se é que um dia já pulsou – e mostra manchas que não saem ao sol quando quaradas – de excrementos e vômitos de origem desconhecida.
Quando foi que ingeri tal dor?
Como não percebi tal vergonha escondida nas entranhas minhas – que te ofereci assim, sem limpa-las antes.
E você, cru, ansiava por outras....
(19-9-05)