domingo, 21 de outubro de 2007

Os meus tantos dias

Existem dias em que a dor me queima a carneaté expôr os ossos frágeis.Nesses dias não quero ser poetiza.Não quero deixá-la brotar de mim em suaves sussurros milenares,não quero que outros a leiame com ela se vistam e se sintammais vivos, mais líricos...Existem tantos dias assim...Mais do que a minh'alma quereriasupor.
Nesses dias não quero ser poetiza!Não quero a falsa reflexão, nem o calor dos teus braços,nem a frenética marcha das horas...NÃO QUERO QUE ME DIGAM QUE VAI FICAR TUDO BEM...Quero rasgar-me...Quero arrancar-me...Quero atirar-me de um abismo edeixar a minha carcaça podre enfeitaro vazio.
Nesses dias...não quero ser poetiza.Queria apenas...NADA! (porém tu chegas e abraças o meu corpoque dança em espasmo de intensa dor...)Nunca sentes saudades da morte?
Eu sinto.Saudades da imensidãoque é o não-sentir,a antítese do sofrimento,da queima.
(abraças-me, acalmas-me e eu a chorar e a gritar, a esmurrar-te a face alva,enquanto me torço em dorestão minhas)
Nesses dias... Não quero amor.Não quero doces carícias.Não quero ser poetiza.
E eu tenho tantos dias, tantas noites, horas miseráveis em que me perco dentro de mim...À procura...À procura da criança que não fui,das cicatrizes que me sangram,do colo surdo de mãeque me negase me envenenas o olhar...
Nesses dias.É demasiado duro.É demasiado gritante.NÃO QUERO SER POETIZA.
Só quero ser eu...Apenas eu...E eu...sou miseravelmente pouco.Miseravelmente humana.Inequívocamente não-poetiza.(T.)

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